Nesta pintura tive como principal referência uma frase muito conhecida da pintora mexicana Frida Kahlo: "Pies para qué los quiero, si tengo alas para volar"...
Na ocasião, Frida precisou ter a perna amputada, por conta de uma
complicação inflamatória que se deu numa ferida mal curada, no dedão do
pé.
Frida já estava no final de sua vida... uma vida cansada,
trilhada por muitas batalhas. Uma luta constante contra as dores que
sentia pelo seu corpo devido ao acidente que sofreu na adolescência, o que mudaria sua vida para sempre.
Esta frase ficou indo e vindo na minha mente por muito tempo. Eu
tentava imaginar a profundidade dessas palavras e onde elas poderiam me
levar.
Dentro da série 'Espelho às Avessas', que fala um pouco
do Homem na sociedade contemporânea, através da figura dos animais (que
têm sido vítimas constantes dele, o próprio Homem), logo imaginei a
materialização destas palavras na impotência de um ser vivo, sem voz,
escravizado e condenado às ações e vontade de um outro ser vivo mais
forte e com maior poder.
Me lembrei daquelas porcas que são
tratadas por algumas indústrias alimentícias como escravas, mantidas
presas em celas de gestação por uma vida inteira... até o dia de sua
morte. Justamente o porco, um dos animais mais inteligentes que existe
na natureza.
Até onde nos julgamos livres se aprisionamos
outros seres na mais dura crueldade, privando-os de ir e vir,
privando-os de vivenciar experiências próprias em seu habitat natural?
O que é ser livre?
Ter seu corpo livre faz do Homem um ser provido de uma consciência livre?
Até onde somos livres?
Obra: "Pies para qué los quiero, si tengo alas para volar"
Acrílica sobre tela | 80x60 cm
Série 'Espelho às Avessas'
Saramello
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